Formação de Preços para Licitações

Formar corretamente o preço é uma das decisões mais importantes de uma licitação. Não basta apresentar o menor valor: o preço precisa ser competitivo e, ao mesmo tempo, suficiente para executar o contrato, pagar todos os custos e gerar resultado para a empresa.

Uma licitação ganha com preço mal calculado pode se transformar em prejuízo durante meses ou anos.

📌 O que você vai aprender

• Como estruturar o preço de uma licitação
• Custos diretos e indiretos
• Mão de obra e encargos
• Materiais e equipamentos
• Tributos
• Despesas administrativas
• Margem de lucro
• Riscos do contrato
• Como definir o limite de lance
• Como evitar preços inexequíveis

1 — Preço não é apenas custo + lucro

O preço precisa considerar todos os recursos necessários para executar o objeto.

De forma simplificada:

Preço = Custos + Despesas + Tributos + Riscos + Lucro

Se algum componente importante ficar de fora, a empresa poderá ganhar a licitação e perder dinheiro durante a execução.

2 — Comece pelo Termo de Referência

Antes de calcular qualquer valor, entenda exatamente o que será necessário executar.

Identifique:

• Quantidades
• Locais
• Horários
• Frequência dos serviços
• Número de profissionais
• Materiais
• Equipamentos
• Uniformes
• Transporte
• Supervisão
• Obrigações adicionais

Primeiro compreenda a operação. Depois coloque preço nela.

3 — Custos Diretos

São custos diretamente relacionados à execução do objeto.

Exemplos:

• Salários
• Benefícios
• Encargos relacionados à mão de obra
• Materiais
• Equipamentos
• Combustível
• Transporte
• Uniformes
• EPIs
• Insumos
• Manutenção

Eles devem ser calculados utilizando informações compatíveis com a realidade da contratação.

4 — Mão de Obra

Em contratos intensivos em mão de obra, essa normalmente é uma das principais parcelas do preço.

Analise:

Salário-base

Encargos

Benefícios

Férias

13º salário

Substituições

Vale-transporte

Vale-alimentação ou benefícios aplicáveis

Uniformes e EPIs

Outras obrigações aplicáveis

Também verifique convenções e instrumentos coletivos pertinentes à categoria e à contratação.

5 — Quantidade real de profissionais

Não considere apenas o número aparente de postos.

Analise:

• Jornada
• Escalas
• Cobertura de férias
• Ausências
• Substituições
• Supervisão
• Folguistas, quando necessários

O dimensionamento operacional influencia diretamente o preço.

6 — Materiais

Faça uma relação completa dos materiais necessários.

Para cada item:

Quantidade × Consumo × Preço unitário = Custo

Não trabalhe apenas com estimativas genéricas quando for possível obter dados concretos.

7 — Equipamentos

Considere:

• Compra
• Locação
• Depreciação, quando aplicável
• Manutenção
• Peças
• Combustível ou energia
• Transporte
• Seguro
• Substituição

Equipamento também possui custo durante toda a execução.

8 — Custos Indiretos

Existem despesas necessárias à operação da empresa que podem não estar diretamente vinculadas a uma única unidade do serviço.

Exemplos:

• Administração
• Contabilidade
• Departamento pessoal
• Gestão contratual
• Tecnologia
• Telefonia
• Estrutura administrativa
• Deslocamentos administrativos

Esses custos precisam ser considerados na estrutura econômica da proposta conforme o caso.

9 — Tributos

A tributação depende da situação específica da empresa e da operação.

Antes de definir o preço, identifique:

• Regime tributário
• Tributos incidentes
• Retenções aplicáveis
• Natureza do serviço
• Regras fiscais pertinentes

Não copie automaticamente a tributação utilizada por outra empresa.

Trabalhe com a contabilidade para utilizar os percentuais corretos.

10 — Despesas Financeiras

O contrato pode exigir desembolsos antes do recebimento.

Considere:

• Prazo de pagamento
• Capital de giro
• Necessidade de financiamento
• Custos bancários
• Garantias
• Seguros

O custo do dinheiro também pode afetar a rentabilidade.

11 — Riscos

Todo contrato possui riscos.

Exemplos:

• Aumento de custos
• Absenteísmo
• Substituições
• Manutenção inesperada
• Logística
• Variações de consumo
• Necessidade de capital de giro
• Falhas operacionais

O preço precisa ser formado de maneira sustentável, considerando os riscos previsíveis e as regras da contratação.

12 — Margem de Lucro

Depois de considerar todos os custos, despesas, tributos e riscos, defina a margem pretendida.

Não existe um percentual universal adequado para todas as licitações.

A margem depende de fatores como:

• Tipo de serviço
• Concorrência
• Risco
• Prazo
• Capital necessário
• Estrutura da empresa
• Estratégia comercial

O importante é conhecer o resultado esperado antes da disputa.

13 — Preço Inicial

Antes do pregão ou disputa, determine o preço calculado para a proposta.

Esse valor precisa estar fundamentado em uma memória de cálculo.

Nunca entre em uma licitação apenas pensando:

“Depois vamos baixando para ver até onde dá.”

Primeiro determine os limites.

14 — Preço Mínimo

Antes da disputa, estabeleça:

Preço ideal

Valor que proporciona o resultado pretendido.

Preço competitivo

Valor ainda economicamente interessante.

Preço mínimo

Limite previamente calculado abaixo do qual a empresa decidiu não contratar.

Essa definição reduz decisões emocionais durante os lances.

15 — Cuidado com a disputa

Durante um pregão eletrônico, é fácil entrar em uma sequência de reduções apenas para permanecer em primeiro lugar.

O objetivo não é:

ganhar a disputa.

O objetivo é:

ganhar um contrato economicamente sustentável.

Se o mercado ultrapassar seu limite:

pare de reduzir.

16 — Exequibilidade

Preços excessivamente baixos podem gerar questionamentos quanto à capacidade de execução.

A Administração poderá analisar a exequibilidade da proposta conforme as regras aplicáveis.

Por isso, mantenha:

• Memória de cálculo
• Cotações
• Planilhas
• Composições
• Convenções coletivas aplicáveis
• Documentos que sustentem os custos

A empresa precisa conseguir explicar como chegou ao preço ofertado.

17 — Analise os concorrentes, mas não copie

Históricos de contratações podem ajudar a entender o mercado.

Pesquise:

• Contratos anteriores
• Valores homologados
• Empresas vencedoras
• Quantidades
• Preços praticados

Mas lembre-se:

o preço do concorrente não revela necessariamente o custo da sua empresa.

Utilize informações de mercado como referência, não como substituição da sua própria composição.

18 — Simule cenários

Antes da licitação, calcule diferentes possibilidades.

Exemplo:

Cenário A — Margem pretendida

Preço: R$ 1.000.000

Cenário B — Competitivo

Preço: R$ 950.000

Cenário C — Limite

Preço: R$ 900.000

Os números são apenas ilustrativos.

O importante é saber antecipadamente o efeito de cada redução sobre o resultado.

19 — Calcule o contrato inteiro

Não analise apenas o valor mensal.

Se o contrato possui duração de 12 meses:

Resultado mensal × 12 = impacto anual

Uma diferença aparentemente pequena pode representar muito dinheiro ao longo da vigência.

20 — Analise o fluxo de caixa

Mesmo um contrato lucrativo pode provocar dificuldades financeiras.

Projete:

Mês 1 → desembolsos

Mês 2 → desembolsos

Mês 3 → recebimentos previstos

A estrutura dependerá das condições reais da contratação.

Descubra qual será a maior necessidade acumulada de caixa.

21 — Crie uma memória de formação de preço

Guarde:

Edital

Termo de Referência

Planilha original

Cotações

Convenções coletivas

Premissas

Tributação

Preço inicial

Limite de lance

Preço final

Isso permitirá posteriormente comparar:

Preço previsto × Custo real × Resultado real

22 — Faça análise depois da contratação

Após iniciar a execução, compare mensalmente:

Previsto × Realizado

Analise:

• Folha
• Benefícios
• Materiais
• Equipamentos
• Tributos
• Administração
• Receita
• Margem

Essa informação melhora a formação de preços das próximas licitações.

📋 Checklist — Formação de Preços

□ Ler edital e Termo de Referência
□ Dimensionar a operação
□ Calcular mão de obra
□ Conferir instrumentos coletivos aplicáveis
□ Calcular benefícios e encargos
□ Calcular materiais
□ Calcular equipamentos
□ Considerar logística
□ Identificar custos indiretos
□ Validar tributação
□ Considerar despesas financeiras
□ Avaliar riscos
□ Definir margem
□ Calcular preço ideal
□ Calcular preço competitivo
□ Definir limite mínimo
□ Projetar fluxo de caixa
□ Registrar memória de cálculo
□ Conferir tudo antes da disputa

🎯 Conclusão

Formação de preços em licitações é uma atividade de gestão, não apenas de matemática.

A sequência correta é:

Entender o objeto → Dimensionar → Calcular custos → Aplicar tributos → Avaliar riscos → Definir margem → Estabelecer limite de lance

Uma empresa profissional entra na disputa sabendo exatamente até onde pode ir.

Ganhar uma licitação é importante.

Ganhar dinheiro executando o contrato é o objetivo.